Robô já consegue fazer colheitas de sangue sozinho: será este o futuro das análises clínicas?

Robô de colheita de sangue com inteligência artificial e tecnologia de saúde



A inteligência artificial e a robótica estão a entrar em áreas da saúde que, até há pouco tempo, dependiam quase exclusivamente da intervenção humana.

Um dos exemplos mais surpreendentes é o Aletta, um sistema robótico desenvolvido para realizar de forma autónoma colheitas de sangue.

O equipamento combina inteligência artificial, ultrassons, infravermelhos, Doppler e robótica para localizar uma veia, posicionar a agulha e realizar a colheita.

A tecnologia desenvolvida pela empresa neerlandesa Vitestro já obteve marcação CE na Europa, abrindo caminho à utilização desta solução em contexto clínico.

Mas será que estamos perante o início de uma nova era nas análises clínicas?

Como funciona um robô que faz colheitas de sangue?

Uma colheita de sangue pode parecer um procedimento simples, mas exige precisão e experiência por parte do profissional de saúde.

É necessário identificar uma veia adequada, avaliar a sua localização, introduzir a agulha correctamente e acompanhar o procedimento.

O Aletta procura automatizar precisamente estas etapas.

Antes de realizar a punção, o equipamento analisa o braço da pessoa através de diferentes tecnologias de imagem para localizar os vasos sanguíneos.

Os ultrassons e o Doppler permitem obter informação sobre a localização e as características dos vasos, enquanto outros sistemas de imagem ajudam a identificar a zona mais adequada para a punção.

Depois, o braço robótico realiza o procedimento.

A ideia é automatizar uma sequência que tradicionalmente depende da intervenção de um profissional:

localizar → seleccionar → puncionar → colher → finalizar.


O robô consegue encontrar a veia sozinho?

Sim.

Esta é uma das características mais interessantes do sistema.

Em vez de depender exclusivamente da observação ou da palpação do braço, o Aletta utiliza sistemas de imagem para procurar uma veia adequada antes de realizar a punção.

Segundo a informação disponibilizada pela Vitestro, a tecnologia foi desenvolvida para realizar colheitas mesmo em situações em que as veias são mais difíceis de localizar.

Esta possibilidade poderá ser particularmente relevante para pessoas que frequentemente necessitam de várias tentativas para conseguir uma colheita.


E se a pessoa se mexer durante a colheita?

Uma das principais preocupações quando pensamos numa agulha controlada por um sistema robótico é, naturalmente, a segurança.

Por isso, o sistema foi desenvolvido com mecanismos capazes de detectar alterações durante o procedimento e interromper a operação quando é identificada uma situação potencialmente insegura.

A tecnologia não foi concebida para funcionar sem supervisão.

A sua utilização clínica pressupõe a presença e supervisão de profissionais devidamente formados.


Isto significa que os enfermeiros vão ser substituídos?

Esta é provavelmente uma das primeiras perguntas que surge quando se fala de inteligência artificial e robótica na saúde.

A resposta é: não necessariamente.

Um robô pode realizar uma determinada tarefa clínica, mas isso não significa que consiga substituir todas as funções desempenhadas por um enfermeiro ou por outro profissional de saúde.

Uma colheita de sangue é apenas uma pequena parte do contacto com o utente.

O profissional continua a desempenhar um papel fundamental na avaliação da situação, na comunicação com a pessoa, na identificação de alterações, na resposta a eventuais complicações e na prestação de cuidados.

A tecnologia pode assumir uma tarefa.

Não assume toda a profissão.


Menos tarefas repetitivas, mais tempo para cuidar

É aqui que a robótica pode ter um impacto significativo na enfermagem.

Imagine um serviço onde um profissional consegue supervisionar vários equipamentos que realizam colheitas de sangue em simultâneo.

Em vez de executar manualmente cada procedimento, o profissional poderá concentrar-se nos utentes que necessitam de maior atenção.

Esta mudança poderá ser particularmente importante num contexto em que os serviços de saúde enfrentam uma pressão crescente e dificuldades na disponibilidade de profissionais.

A tecnologia pode ajudar a retirar algumas tarefas repetitivas aos profissionais e permitir que dediquem mais tempo àquilo que exige experiência, conhecimento clínico e contacto humano.


E as pessoas com “veias difíceis”?

Encontrar uma veia pode ser extremamente simples para algumas pessoas e bastante complicado para outras.

Idade, hidratação, características individuais dos vasos ou determinados tratamentos podem dificultar a punção.

Nestas situações, podem ser necessárias várias tentativas.

Uma das potencialidades de um sistema baseado em imagem é precisamente conseguir identificar estruturas que nem sempre são fáceis de localizar através da observação ou palpação.

Se esta tecnologia conseguir reduzir o número de tentativas em determinados grupos de utentes, poderá contribuir para uma experiência mais confortável e menos stressante.


A tecnologia pode tornar as colheitas mais consistentes

Outro possível benefício é a padronização do procedimento.

Na prática clínica, diferentes profissionais podem ter diferentes níveis de experiência e técnicas.

Um sistema automatizado pode executar uma sequência programada de movimentos de forma muito consistente.

Isto não significa que seja sempre superior a um profissional experiente.

Significa que determinadas tarefas podem passar a ter um nível adicional de padronização, controlo e previsibilidade.

E esta é uma das grandes vantagens da automação na saúde.


O verdadeiro potencial está na integração

Talvez o mais interessante não seja apenas o facto de um robô conseguir realizar uma colheita de sangue.

O verdadeiro potencial poderá surgir quando esta tecnologia for integrada com outras soluções digitais.

Imagine o seguinte percurso:

1. O utente realiza a admissão através de um sistema digital.

2. A sua identidade é confirmada.

3. O pedido de análises é associado automaticamente ao processo.

4. O sistema robótico realiza a colheita.

5. Os tubos são identificados automaticamente.

6. As amostras seguem para o laboratório.

7. Os resultados são integrados no processo clínico.

8. Sistemas de inteligência artificial podem ajudar a identificar resultados que mereçam atenção.

Neste cenário, não estamos apenas a falar de um robô.

Estamos a falar de um ecossistema de saúde digital e automatizado.


A inteligência artificial está a sair do computador

Durante muitos anos, quando falávamos de inteligência artificial na saúde, pensávamos sobretudo em software.

Programas capazes de analisar exames, identificar padrões, organizar informação ou apoiar profissionais na tomada de decisões.

Agora, a situação está a mudar.

A inteligência artificial começa a controlar equipamentos capazes de interagir fisicamente com o corpo humano.

O Aletta é um exemplo dessa transformação.

A máquina consegue:

  • observar;

  • analisar;

  • localizar;

  • tomar decisões dentro de parâmetros definidos;

  • executar movimentos;

  • monitorizar o procedimento;

  • interromper a operação quando necessário.

Estamos a passar da IA que analisa informação para a IA integrada em sistemas físicos.


Poderá esta tecnologia chegar aos cuidados de saúde no domicílio?

Esta é uma possibilidade particularmente interessante.

A mesma combinação de sensores, inteligência artificial e automação poderá, no futuro, encontrar aplicações fora dos hospitais e laboratórios.

Podemos imaginar sistemas capazes de monitorizar determinados parâmetros de saúde em casa, identificar alterações e alertar automaticamente os profissionais.

Ou equipamentos que auxiliem pessoas com mobilidade reduzida, sistemas inteligentes de prevenção de quedas ou dispositivos capazes de apoiar determinadas tarefas de cuidados.

A tecnologia poderá permitir que alguns cuidados sejam realizados mais próximo do utente, mantendo a supervisão dos profissionais de saúde.


O futuro da saúde será humano e tecnológico

A chegada de sistemas como o Aletta não significa necessariamente hospitais sem enfermeiros.

Pode significar algo diferente:

profissionais apoiados por tecnologia.

Máquinas responsáveis por determinadas tarefas repetitivas.

Sistemas de inteligência artificial capazes de processar grandes quantidades de informação.

E profissionais de saúde com mais tempo para aquilo que nenhuma tecnologia consegue substituir facilmente: avaliar, comunicar, decidir, acompanhar e cuidar.

A questão já não é saber se a tecnologia vai entrar na saúde.

Ela já entrou.

A verdadeira questão é perceber como podemos utilizá-la para melhorar os cuidados prestados às pessoas.




Perguntas frequentes

O que é o Aletta?

O Aletta é um sistema de flebotomia robótica desenvolvido pela empresa neerlandesa Vitestro. Foi concebido para automatizar a colheita de sangue através da combinação de robótica, inteligência artificial e tecnologias de imagem.

Um robô consegue fazer uma colheita de sangue?

O Aletta foi desenvolvido para realizar autonomamente várias etapas da colheita, incluindo a localização da veia e a punção. A utilização clínica é realizada sob supervisão de profissionais devidamente formados.

O Aletta utiliza inteligência artificial?

Sim. O sistema combina inteligência artificial com tecnologias de imagem e robótica para localizar vasos sanguíneos e realizar a colheita.

Um robô pode substituir um enfermeiro?

Não. Uma tecnologia deste tipo pode automatizar uma tarefa específica, mas não substitui a avaliação clínica, a comunicação, o julgamento profissional e os restantes cuidados prestados por um enfermeiro.

O robô consegue encontrar veias difíceis?

Essa é uma das aplicações potencialmente mais interessantes da tecnologia. O sistema utiliza ultrassons, Doppler e outros sistemas de imagem para localizar vasos sanguíneos antes da punção.

A robótica vai ser cada vez mais utilizada na saúde?

É provável. A evolução da inteligência artificial, dos sensores e da robótica está a permitir automatizar progressivamente determinadas tarefas clínicas e administrativas.


Tecnologia e inovação na saúde

A tecnologia está a transformar rapidamente a forma como os cuidados de saúde são prestados.

Na enfermeirosPT, acompanhamos esta evolução porque acreditamos que a inovação pode ajudar os profissionais a trabalhar melhor e contribuir para cuidados cada vez mais seguros, eficientes e personalizados.

Da inteligência artificial na enfermagem à teleassistência, monitorização remota e automação de processos, o futuro dos cuidados de saúde está a ser construído agora.

E queremos acompanhar essa transformação consigo.

Continue a acompanhar o blogue da enfermeirosPT para descobrir novas tecnologias, soluções de inteligência artificial e tendências que estão a transformar a saúde e a enfermagem.


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