Intervenção do Enfermeiro de Reabilitação no modelo assistencial de Hospitalização Domiciliária


Luís Agostinho, Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação, Associação Portuguesa dos Enfermeiros de Reabilitação; Rui Silva, Enfermeiro Especialista em Enfermagem de Reabilitação, Unidade de Hospitalização Domiciliária – Centro Hospitalar do Oeste EPE (Caldas da Rainha)

A alteração do perfil demográfico e epidemiológico da população através do seu envelhecimento progressivo e aumento da esperança média de vida, veio criar pressão no sistema de saúde, com procura crescente de cuidados de saúde, capacidade de resposta limitada, maior exigência dos doentes e sobrelotação dos hospitais, conduzindo ao aumento da despesa em cuidados de saúde, com implicações na sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Decorrente desta realidade, urge a necessidade de descentralização de cuidados, para a comunidade e para o domicílio, surgindo a Hospitalização Domiciliária (HD). 

A HD é um modelo de assistência hospitalar, alternativa ao internamento convencional, que coloca o doente no centro do cuidado, presta cuidados diferenciados, de proximidade, humanizados, com segurança, garantindo equidade e acessibilidade aos cuidados. A intervenção do Enfermeiro Especialistas em Enfermagem de Reabilitação (EEER) neste contexto é um desafio para a enfermagem de reabilitação contemporânea.

Permite desenvolver estratégias/planos de reabilitação com o doente e cuidador, ajustados ao seu domicílio, aos seus recursos e às suas rotinas, o que lhes permite obter um nível de funcionalidade, por vezes, até superior aquele que atingiriam se tratados no hospital. O EEER tem um papel fundamental no empoderamento do binómio doente/cuidador, com intervenções nas dimensões de aprendizagem de capacidades nos diagnósticos andar; auto-cuidados; equilíbrio corporal, pôr-se de pé; transferir-se; levantar-se; para uma maior autonomia dos mesmos, após fenómenos de transição saúde-doença. Intervém na gestão da doença crónica, como na Doença pulmonar obstrutiva crónica e na Insuficiência cardíaca, através do ensino/instrução/treino de inaloterapia, técnicas de conservação de energia, exercícios aeróbicos, respiratórios, de flexibilidade e de fortalecimento. Intervém também na gestão da doença aguda, como na patologia respiratória, com reabilitação funcional respiratória, capacitando doente e cuidador.

Por outro lado, o trabalho interdisciplinar em equipa nos domicilios, com um plano individualizado de tratamento para cada doente, partilhado em equipa, permite a obtenção de resultados clínicos otimizados, o que é um fator de motivação/ confiança para doente/ cuidador/ família, aumentado a recetividade para desenvolverem competências de aprendizagem. As novas tecnologias de telessaúde, como a telemonitorização e, futuramente, serviços de telecuidados e de telerreabilitação, serão instrumentos ao dispor do EEER, para a melhoria da qualidade/segurança dos cuidados, promoção de autocuidados, literacia em saúde e customização de cuidados.

A inclusão do EEER na atividade assistencial nos domicílios é uma mais-valia para a obtenção de ganhos em saúde e para a promoção da sua imagem profissional na sociedade, transportando para o domicílio do doente os cuidados de enfermagem de reabilitação e aproximando os cuidados no domicilio aos que são prestados na estrutura física de um Hospital, o que permite ainda aumentar o número de doentes elegíveis para internamento domiciliário.

Para quem desconhece as competências dos Enfermeiros de Reabilitação e só conhece os Fisioterapeutas/Fisioterapia aqui fica um documento da Ordem dos Enfermeiros

fonte parcial do conteúdo: https://lifestyle.sapo.pt/saude/noticias-saude/artigos/a-intervencao-do-enfermeiro-especialista-de-enfermagem-de-reabilitacao-no-modelo-assistencial-de-hospitalizacao-domiciliaria
































































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